Na véspera do Dia Internacional da Mulher, uma ocorrência registrada pela Guarda Civil Municipal de Araras revela um cenário que contrasta duramente com as mensagens de respeito e valorização que marcam a data. Enquanto campanhas destacam direitos, proteção e dignidade, uma denúncia trouxe à tona um possível histórico de violência, humilhações e controle dentro de uma residência da cidade.
A equipe da GCM foi acionada na noite de 7 de fevereiro, por volta das 22h20, para atender uma denúncia envolvendo possível violência doméstica. No local, os agentes conversaram com a mulher e com seu filho de 13 anos.
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De acordo com o relato da vítima, ela vinha sendo mantida em situação de cárcere privado pelo companheiro, identificado como J.B., com quem mantinha relacionamento há cerca de 26 anos. Segundo ela, não possuía acesso à chave da residência, o que a impedia de sair do imóvel. A fuga só teria sido possível após o próprio filho conseguir encontrar a chave escondida pelo pai.
Durante o depoimento prestado na unidade policial, a mulher relatou um histórico prolongado de agressões psicológicas, ameaças e humilhações. Segundo ela, após o nascimento do filho, o comportamento do companheiro teria se tornado ainda mais agressivo.
A vítima afirmou que era frequentemente alvo de ofensas racistas, sendo chamada de “macaca”, além de ouvir constantemente frases de desvalorização como “mulher não serve para nada”. Entre as ameaças relatadas, uma delas teria sido a de que o agressor “daria um tiro na boca dela e do filho”.
Ainda conforme o depoimento, a mulher relatou que não tinha liberdade para manter contato com familiares e que, quando autorizada a falar com alguém, o companheiro permanecia por perto durante toda a conversa. Em outras situações, ela afirmou que precisava sair escondida dentro do veículo, sem que pudesse circular livremente.
Outro ponto que chamou a atenção dos agentes foi a situação do filho do casal. Segundo a vítima, o adolescente não frequenta a escola desde os sete anos de idade, estando atualmente com 13 anos, o que levantou suspeitas de possível abandono intelectual.
Durante a ocorrência, os guardas municipais também apreenderam uma réplica de arma de fogo localizada dentro da residência.
A mulher apresentou ainda fotografias de lesões corporais, que segundo ela teriam sido provocadas pelo companheiro há cerca de oito anos, além de imagens que indicariam que a casa permanecia frequentemente trancada.
Diante da gravidade das denúncias, a vítima solicitou medida protetiva de urgência, e o caso foi encaminhado às autoridades competentes para investigação.
A Polícia deverá agora apurar as circunstâncias dos fatos, incluindo as denúncias de cárcere privado, ameaças, violência psicológica, injúria racial e abandono intelectual, além de verificar a situação do menor envolvido.

