Cordeirópolis atravessou a virada do ano mergulhada em um cenário que vai muito além de transtornos pontuais. A cidade encerrou 2025 e iniciou 2026 convivendo com falta d’água, desorganização nos serviços de saúde, ausência de medicamentos, fechamento de farmácias públicas, déficit de profissionais e incertezas na educação infantil. Um conjunto de problemas que, somados, expõem fragilidades estruturais da gestão pública.
Nos últimos dias de dezembro, moradores de diferentes bairros relataram falta de abastecimento de água, justamente em um período em que o consumo naturalmente aumenta. As reclamações se espalharam pelas redes sociais e grupos comunitários, vindas de diversas regiões da cidade, indicando que o problema não foi isolado. Quando a água retornou em alguns pontos, o alívio veio acompanhado de novas queixas: água turva, com coloração alterada e odor forte, segundo relatos de moradores.
A crise hídrica, longe de ser um evento imprevisível, ocorreu após meses de alerta e discussões públicas sobre a operacionalização do sistema de abastecimento. Ainda assim, a população iniciou o novo ano sem respostas claras, cronogramas definidos ou comunicação eficiente por parte dos órgãos responsáveis.
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Como se não bastasse, o início de 2026 trouxe outro impacto direto ao bolso do cidadão: o carnê do IPTU. Acostumados há anos a iniciar os pagamentos em março, os contribuintes foram surpreendidos não apenas pela antecipação da cobrança, mas também por valores mais altos, em um momento em que muitos serviços básicos falham ou operam de forma limitada. A sensação entre moradores é de descompasso entre o que se paga e o que se recebe em retorno.
Na área da educação infantil, mães também recorreram às redes sociais para relatar dificuldades com a falta de vagas em creches e a ausência de atendimento regular. Segundo informações divulgadas, os plantões só teriam início no dia 12 de janeiro e ainda assim com estagiários, o que gerou insegurança para famílias que dependem do serviço para trabalhar.
Na saúde, o cenário é igualmente preocupante. Farmácias públicas fechadas em diferentes bairros limitam o acesso da população a medicamentos básicos. No Jardim Cordeiro, o atendimento só deve retornar no dia 26 de janeiro; no Jardim Juventude, no dia 19, ambos supostamente pela escassez de profissionais. Para quem depende exclusivamente do sistema público, a interrupção representa risco direto à saúde.
A escassez de medicamentos é agravada pela saída de dezenas de profissionais da rede municipal de saúde desde o início da atual gestão. Levantamento realizado pelo Martello News aponta que, já em janeiro de 2025, deixaram a rede o Dr. Thiago Feltrin, a Dra. Gabriela Ortolan e o Dr. Joaquim Raposo. Ao longo do ano, outras saídas se somaram: a pediatra Dra. Poliana, o cardiologista Dr. Fred, o geriatra Dr. Felix, o vascular Dr. Santana, a dermatologista Dra. Rafaela, a pediatra da UPAM Dra. Carol, uma psicóloga da rede, Thayná Gonçalves; e mais uma neuropediatra, além de Luiz André Barato, do Centro Odontológico, e, em seguida, sua esposa, Daniela Gandara, dentista que atuou por 34 anos no bairro Jardim Eldorado e cuja demissão gerou forte repercussão e indignação popular.
Além dos médicos, também foram desligados enfermeiros e o coordenador da farmácia municipal, ampliando o sentimento de descontinuidade e fragilização do atendimento à população.
O reflexo desse cenário é visível: consultas reduzidas, dificuldade de acesso a especialistas, falta de medicamentos, férias coletivas prolongadas em setores essenciais como saúde e educação, e uma população cada vez mais insatisfeita. O que se observa é uma cidade onde problemas se acumulam sem que soluções estruturais sejam apresentadas de forma clara e transparente.
A soma de todos esses fatores: água, saúde, educação e aumento de impostos levanta um questionamento inevitável: qual é a prioridade da gestão pública neste momento? Para muitos moradores, o sentimento é de abandono e falta de planejamento, em um município que começa o ano enfrentando dificuldades que atingem diretamente a qualidade de vida da população.
O Martello News seguirá acompanhando os desdobramentos e buscando respostas oficiais dos órgãos competentes sobre cada uma dessas situações que, juntas, desenham um retrato crítico do início de 2026 em Cordeirópolis.


