Horários definidos pela Prefeitura não atendem a rotina de mães que trabalham em horário comercial
O início da semana já foi marcado por uma enxurrada de reclamações que chegaram à redação do Martello News envolvendo os horários definidos pela Prefeitura de Cordeirópolis para o funcionamento das creches de plantão durante o período de férias escolares. O problema, segundo as mães, não é a existência do serviço — mas a forma como ele foi organizado, completamente desconectada da realidade de quem precisa trabalhar.
Atualmente, duas unidades funcionam como creches de plantão no município: a CEI Leonor Fortunato, no Jardim Cordeiro, e a CEI Martha Salibe Abrahão, no Jardim Progresso. Ambas operam no mesmo horário: das 7h às 17h. É justamente esse intervalo que tem gerado revolta entre as mães trabalhadoras.
A crítica é simples, direta e difícil de ser contestada: grande parte das empresas inicia o expediente às 7h, e muitas encerram às 17h. Ou seja, o horário definido pelas creches exige que as mães cheguem atrasadas no trabalho ou saiam mais cedo algo que, na prática, não é aceito pela maioria dos empregadores.
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“Na gestão anterior, a creche de plantão funcionava das 6h30 às 17h30. Esse horário, sim, atendia a nós, mães que trabalham. Dava tempo de deixar e buscar o filho sem problema”, relatou uma mãe à reportagem. “Agora colocaram das 7h às 17h. Quem decidiu isso claramente não vive a nossa realidade”, completou.
Outras mães reforçam o mesmo sentimento de abandono e falta de planejamento. “Como que eu trabalho em horário comercial e levo meu filho nesse horário? Vou chegar atrasada todos os dias? Vou sair mais cedo? Nenhuma empresa aceita isso”, desabafou outra mãe.
As dificuldades não são teóricas. Elas estão acontecendo na prática, logo nos primeiros dias de funcionamento do plantão. Uma mãe relatou que chegou à creche por volta das 6h30, como fazia em anos anteriores, e só então foi informada de que o portão abriria às 7h. “Fiquei sabendo às 6h40. Tive que ligar para o meu esposo correndo para ver quem poderia ficar com meu filho hoje, para eu não chegar atrasada no trabalho. E amanhã? Como vai ser?”, questionou.
Além do impacto nos horários, houve registro de filas logo no início da manhã. “Hoje deixei meu filho e a fila estava enorme, porque só abriram às 7h. A creche precisa funcionar pelo menos até às 17h30. A gente sai do trabalho às 17h”, relatou outra mãe.
O que fica evidente é a sensação de que a decisão foi tomada sem diálogo e sem uma análise mínima da rotina das famílias que dependem do serviço público. Para muitas mães, a impressão é de que quem definiu os horários desconhece ou ignora completamente o funcionamento do mercado de trabalho privado, onde atrasos frequentes e saídas antecipadas não são tolerados.
Enquanto isso, mães seguem se desdobrando, pedindo favores, improvisando cuidados e vivendo a insegurança diária de não saber como conciliar trabalho e maternidade durante as férias escolares. Um problema previsível, recorrente e que, mais uma vez, parece ter sido tratado como detalhe pela administração pública.
A pergunta que fica é direta: o plantão foi criado para atender as mães ou apenas para constar no papel?

