A Prefeitura de Cordeirópolis tentou reverter na Justiça a suspensão do contrato da merenda escolar, mas não conseguiu a liberação imediata em “segunda instância”, mantendo o bloqueio do processo neste momento. A decisão reforça o cenário de incerteza em torno de um serviço essencial e reacende o debate sobre a gestão da alimentação nas escolas do município.
A disputa judicial envolvendo o contrato da merenda escolar em Cordeirópolis acendeu um alerta que vai além dos tribunais: o impacto direto pode cair no prato dos alunos. De um lado, a Justiça determinou a suspensão do pregão eletrônico após apontamentos de possíveis falhas no edital. Do outro, a Prefeitura recorreu tentando liberar a contratação, alegando legalidade e risco de desabastecimento nas escolas.
O contrato em questão gira em torno de R$ 9,5 milhões por ano e prevê a terceirização completa da alimentação escolar, incluindo preparo, logística e distribuição das refeições. A administração municipal sustenta que o modelo garante mais eficiência e padronização. Já a decisão judicial, em caráter liminar, entendeu que há pontos que precisam ser melhor analisados antes da continuidade do processo.
No meio desse embate, está um serviço essencial: a merenda escolar, que atende milhares de alunos diariamente. A própria Prefeitura argumenta que a paralisação do processo pode gerar risco de desabastecimento.
A preocupação, no entanto, não surge agora. Em 2025, a cidade já enfrentou uma série de reclamações relacionadas à merenda, com relatos de falhas, insatisfação e questionamentos sobre a qualidade e regularidade do serviço.
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O contraste chama atenção. Em anos anteriores, Cordeirópolis chegou a ser vista como referência na alimentação escolar. O cenário mais recente, porém, levanta dúvidas sobre a condução do serviço e as decisões adotadas pela gestão.
A proposta de terceirização aparece como alternativa para reorganizar o sistema. No entanto, diante do histórico recente, surgem questionamentos que começam a ecoar entre moradores e pais de alunos: o modelo atual foi deixado deteriorar para justificar a mudança? Ou a terceirização é, de fato, uma solução técnica necessária?
Oficialmente, não há qualquer afirmação nesse sentido. Mas o contexto, somado às reclamações anteriores e ao momento atual de impasse, abre espaço para reflexão.
Outro ponto relevante é que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) já havia analisado o processo e não identificado irregularidades suficientes para barrar a licitação. Ainda assim, a Justiça de primeira instância decidiu pela suspensão cautelar, reforçando que a análise completa do caso ainda será feita.
O caso agora segue no Tribunal de Justiça, onde a Prefeitura tenta reverter a decisão. Enquanto isso, o cenário permanece indefinido.
A discussão jurídica segue em andamento, mas fora dos autos, a cobrança é mais direta: garantir que a merenda chegue com qualidade e regularidade para quem mais precisa.
Função do TCE
Embora o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) não tenha identificado irregularidades suficientes para suspender a licitação naquele momento, isso não significa aprovação definitiva do processo.
O órgão realiza uma análise técnica e preventiva, baseada nos documentos apresentados, mas não tem competência para dar a palavra final sobre a legalidade do caso. Essa atribuição cabe ao Poder Judiciário, que pode intervir quando há indícios de irregularidade ou risco ao interesse público.
Na prática, enquanto o TCE não viu motivo imediato para barrar o certame, a Justiça optou por suspender a licitação para uma análise mais aprofundada. O caso, portanto, segue em aberto e ainda pode ter desdobramentos conforme avançam as investigações.
O TCE não assume responsabilidade integral pela licitação. A responsabilidade continua sendo: da Prefeitura (quem faz o edital) e dos gestores públicos em caso de problema, pode haver responsabilização posterior.
O que mostra: Que o caso não está resolvido. Pelo contrário: está em disputa e ainda pode mudar bastante conforme a investigação avance.
Resumo direto:
O TCE não “libera geral”. Ele só não barrou naquele momento.
Quem dá a palavra final sobre legalidade, se provocado, é a Justiça.

Foto: Arquivo em 2022

