Administração que alega falta de recursos para áreas essenciais confirma grande evento enquanto população cobra prioridades
A Prefeitura de Cordeirópolis confirmou a realização do Carnaval 2026, com investimento estimado em R$ 1,5 milhão, evento que acontecerá entre 13 e 16 de fevereiro, na Avenida Presidente Vargas, com entrada gratuita e estrutura completa.
O anúncio, porém, reacende um debate que vem tomando conta das ruas e das redes sociais: como conciliar o discurso recorrente de falta de dinheiro com um gasto milionário em quatro noites de festa?
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Desde que assumiu, a atual administração tem justificado uma série de decisões com base na “escassez de recursos”. Houve queixas sobre dificuldades para custeio de serviços básicos, críticas ao calendário escolar com professores entrando em férias apenas em 19 de janeiro, segundo relatos, por questões orçamentárias; e explicações oficiais para atrasos e limitações em áreas como saúde e educação.
Agora, o mesmo cofre considerado “apertado” ganha fôlego quando o assunto é Carnaval.
Estrutura garantida
De acordo com o material divulgado da Prefeitura, o investimento municipal irá custear:
- escolas de samba ( R$ 360 mil) ;
- shows principais;
- segurança;
- banheiros químicos.
A festa continua sendo terceirizada, pois há uma empresa contratada que ficará responsável pela estrutura geral, blocos de rua, identidade visual, gestão da praça de alimentação e comercialização de camarotes VIP.
A festa terá programação das 19h às 5h, com cinco atrações por noite, Balada VIP com DJs, desfiles a partir das 20h e arquibancadas gratuitas. A avenida será interditada diariamente às 18h30 para montagem do circuito.
Prioridades invertidas?
O ponto central da discussão não é o Carnaval em si. A redação não é contra a realização da festa, que faz parte da cultura popular e movimenta o comércio local. O questionamento é outro:
Se há dinheiro para a folia, por que faltaria para o essencial?
Pais reclamam de dificuldades com horários de creches, usuários do SUS relatam falta de remédios e especialistas, e profissionais da educação apontam incertezas financeiras. Nesse cenário, o investimento elevado em evento festivo soa, para muitos, como um recado equivocado das prioridades do governo.
Narrativas que não combinam
A gestão tem repetido que herdou dificuldades financeiras e que precisa “apertar o cinto”. No entanto, o Carnaval surge como exceção à regra.
A gestão atual chegou a afirmar publicamente que o Carnaval de 2024, realizado pela administração anterior, teria custado mais de R$ 3 milhões. No entanto, em contato com a assessoria, essa versão foi desmentida, com a justificativa de que todos os gastos daquele período estariam devidamente registrados e disponíveis para consulta. Ainda assim, o valor anunciado para 2026 continua expressivo para um município que, segundo o próprio discurso oficial, enfrenta limitações de caixa. A pergunta que ecoa entre os moradores é simples:
Se não há recursos para demandas urgentes, de onde vem a verba para quatro noites de festa?
O Martello News seguirá acompanhando o tema e cobrando transparência sobre contratos, valores detalhados e critérios adotados para definir prioridades do dinheiro público.

