Dívida cresce, gastos com pessoal disparam e saúde perde investimentos em Cordeirópolis

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Enquanto investimentos foram reduzidos e serviços enfrentaram cortes, indicadores financeiros da Prefeitura apresentaram piora entre 2024 e 2025

A falta de medicamentos nas unidades de saúde, a redução de exames especializados e as constantes reclamações da população podem ter uma explicação nos números oficiais da própria Prefeitura de Cordeirópolis.

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Uma análise comparativa entre os balanços financeiros de 2024 e 2025 revela um cenário que contrasta com o discurso de ajuste fiscal adotado pela atual administração. Apesar da redução de investimentos e da paralisação de diversas obras, indicadores importantes das contas públicas apresentaram piora no primeiro ano da gestão da prefeita Cristina Saad.

 

O ano de 2024 marcou o encerramento da gestão do ex-prefeito Adinan Ortolan. Naquele período, a Prefeitura acelerou a conclusão de obras consideradas estratégicas, como a Barragem Santa Marina, o Hospital Municipal e o prolongamento da Avenida Presidente Vargas. Para cumprir as exigências fiscais, a administração adotou medidas de contenção de despesas nos últimos meses do mandato.

Já em 2025, primeiro ano da atual gestão, o discurso predominante foi de dificuldades financeiras herdadas da administração anterior. Diversas obras foram desaceleradas ou paralisadas e áreas consideradas sensíveis passaram por contenção de gastos.

Saúde perdeu recursos

O impacto mais perceptível para a população ocorreu justamente na área da saúde.

Os números mostram que o investimento municipal em saúde caiu de 19,9% da receita em 2024 para 16,9% em 2025. Na prática, isso representa aproximadamente R$ 8 milhões a menos destinados ao setor.

A situação se torna ainda mais preocupante ao observar os dados iniciais de 2026. No fechamento de abril, o índice de aplicação na saúde estava em 13,9%, abaixo do mínimo constitucional de 15%.

Os reflexos aparecem no cotidiano da população. Reclamações sobre falta de medicamentos, demora para exames e dificuldades para acesso a especialistas tornaram-se frequentes ao longo do último ano.

Dívida de longo prazo cresceu 44%

Mesmo com a redução de investimentos, a dívida de longo prazo da Prefeitura aumentou significativamente.

Os financiamentos saltaram de R$ 56,6 milhões em 2024 para aproximadamente R$ 81 milhões em 2025, um crescimento de 44%.

A tendência é de aumento. Novas operações de crédito estão em tramitação na Câmara Municipal e podem fazer com que o endividamento ultrapasse a marca de R$ 100 milhões.

Outro fator que chama atenção é o custo dessas operações.

Enquanto o financiamento do Anel Viário contratado junto ao Governo Federal possuía juros próximos de 6% ao ano e prazo de até 24 anos para pagamento, empréstimos mais recentes apresentam taxas que se aproximam de 19% ao ano, com prazos significativamente menores.

Dívida com fornecedores também aumentou

Outro dado que contraria o discurso de reorganização financeira aparece nas contas de curto prazo.

Ao final de 2024, a dívida com fornecedores em atraso era de R$ 18,9 milhões. Um ano depois, o valor chegou a R$ 22,8 milhões.

O crescimento foi de 20,6%.

Ou seja, mesmo reduzindo investimentos e cortando despesas em diversas áreas, a Prefeitura encerrou o primeiro ano da nova gestão devendo mais aos fornecedores do que no ano anterior.

Tribunal de Contas já acendeu sinal amarelo

Mas é na despesa com pessoal que os números mais preocupam.

Após anos de redução gradual da folha de pagamento, impulsionada por programas de desligamento voluntário e pela ausência de novos concursos. O índice que chegou a bater 54% no final da gestão do ex-prefeito Amarildo Zorzo em 2016 caiu para 40,2% no final da gestão do ex-prefeito Adinan Ortolan no final de 2024.

No encerramento de 2025, porém, a despesa com pessoal saltou para 48,5%.

 

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O gasto com servidores efetivos e comissionados passou de R$ 108,7 milhões para R$ 118,5 milhões.

Mais preocupante ainda são os números de 2026.

No fechamento do primeiro quadrimestre, a despesa com pessoal atingiu 49,6% da Receita Corrente Líquida, ultrapassando o limite de alerta previsto pelos órgãos de controle.

O resultado levou o Tribunal de Contas a emitir notificação ao município.

Terceirizações entram no radar

Parte desse crescimento está relacionada à ampliação de contratos terceirizados.

Nos bastidores da administração, a terceirização passou a ser apontada como alternativa para suprir limitações impostas pela legislação na contratação de cargos comissionados.

Além do aumento no número de terceirizados, pareceres internos autorizaram reajustes em determinadas funções contratadas por empresas prestadoras de serviço, com remunerações que podem chegar a aproximadamente R$ 5 mil mensais, (inclusive a coluna Ouvimos Dizer denunciou um print de conversa com promessa de emprego próximos a esses valores).

Diferentemente dos servidores municipais, esses pagamentos não aparecem de forma individualizada no Portal da Transparência, dificultando o acompanhamento detalhado por parte da população.

O tema ganha relevância especialmente porque o Portal Martello News já publicou diversas reportagens envolvendo pagamento de horas extras elevadas, gratificações e situações que geraram questionamentos sobre a gestão da folha de pagamento municipal.

Mais arrecadação, menos investimento

Apesar das dificuldades alegadas pela administração, a arrecadação do município continuou crescendo.

A Receita Corrente Líquida passou de R$ 250,2 milhões em 2024 para R$ 263,2 milhões em 2025.

Parte desse aumento veio do reajuste do IPTU, da Taxa de Serviços Urbanos e das taxas de licença e localização cobradas de comerciantes e empresas.

O paradoxo apontado pelos números é que a Prefeitura arrecadou mais, investiu menos, reduziu aplicações em áreas essenciais como saúde e, ainda assim, terminou o período com aumento do endividamento, crescimento da dívida com fornecedores e avanço das despesas com pessoal.

Os dados oficiais levantam uma discussão inevitável: afinal, para onde está indo o dinheiro público arrecadado em Cordeirópolis?

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