CACO diz que não decidiu encerrar atendimentos e contesta versão divulgada pela Saúde de Cordeirópolis

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Empresa responsável pelo Centro do Autismo contesta informação sobre fechamento imediato, relata dificuldades financeiras por baixo número de encaminhamentos e rebate questionamentos sobre estrutura e qualidade dos atendimentos

A Levemente Soluções em Qualidade de Vida, empresa responsável pela operação do Centro do Autismo de Cordeirópolis (CACO), divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira, 6, para apresentar sua versão sobre o encerramento dos atendimentos da unidade.

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No comunicado, a empresa afirma que não tomou uma decisão definitiva de fechar o CACO, não estipulou uma data para a interrupção dos serviços e não apresentou ao Cismetro  entidade contratante  qualquer pedido formal de encerramento do contrato.

A manifestação ocorre após informações divulgadas sobre o fim dos atendimentos da unidade. A Levemente sustenta que sua atuação, desde o início das tratativas com a Secretaria Municipal de Saúde, teve como objetivo buscar alternativas para manter o serviço, os profissionais e os vínculos terapêuticos construídos com as crianças atendidas.

 

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Segundo a empresa, o problema levado à Administração Municipal foi a dificuldade econômico-financeira de manter a estrutura em funcionamento diante do número de pacientes encaminhados ao CACO.

Comunicados foram enviados em outubro

A Levemente informa que encaminhou comunicações formais à Secretaria Municipal de Saúde nos dias 14, 19 e 23 de outubro de 2026. Nos documentos, a empresa teria relatado que o volume de pacientes encaminhados não era suficiente para garantir a sustentabilidade da operação.

A nota não aponta que a qualidade dos atendimentos estaria comprometida. Pelo contrário: a empresa afirma que manteve a estrutura, os profissionais e os serviços especializados mesmo diante de resultados financeiros negativos.

O argumento apresentado pela Levemente é de que uma unidade especializada possui despesas permanentes, como salários de profissionais, estrutura física, custos operacionais, materiais e fornecedores. Sem um volume mínimo de atendimentos, a empresa sustenta que a operação passa a ser deficitária.

Além da quantidade reduzida de pacientes, a responsável pelo CACO relata que o último apontamento de produção teve valores de determinados atendimentos não reconhecidos para pagamento, agravando a situação financeira já enfrentada pela unidade.

Empresa diz ter apresentado soluções

A Levemente afirma que não se limitou a informar o problema, mas apresentou propostas à Secretaria para tentar preservar o funcionamento do CACO.

Uma das alternativas seria o encaminhamento de crianças que aguardavam por atendimento. Segundo a empresa, famílias que procuraram diretamente a unidade e aguardavam por terapias tiveram seus contatos disponibilizados à Secretaria Municipal de Saúde, para avaliação de possíveis encaminhamentos. Outra proposta seria a alteração da forma de pagamento dos serviços. De acordo com a nota, a empresa sugeriu deixar o modelo de pagamento por pacote e adotar uma remuneração por sessão realizada.

A empresa afirma que as duas propostas foram apresentadas justamente para buscar um formato financeiramente viável, sem que fosse necessário interromper os atendimentos, dispensar profissionais ou romper os vínculos terapêuticos já estabelecidos.

Reunião teria terminado com posição já definida

A proprietária do Grupo Levemente, Paula Lima Mellilo, esteve na Secretaria Municipal de Saúde no dia 5 de novembro, em uma reunião previamente agendada. Segundo a empresa, o encontro tinha como finalidade discutir as alternativas apresentadas nas comunicações de outubro.

Porém, a Levemente afirma que, ao chegar à reunião, sua representante recebeu uma comunicação oficial já preparada, manifestando concordância com o encerramento imediato das atividades.

Na versão apresentada pela empresa, não houve oportunidade efetiva para discutir as propostas de continuidade do CACO. A nota afirma que, diante da forma como a reunião foi conduzida, ficou claro para a representante que a posição da Secretaria já estaria definida antes mesmo do encontro.

A manifestação é relevante porque coloca versões diferentes sobre a origem da decisão. Enquanto informações anteriores apontavam para a interrupção dos atendimentos, a Levemente afirma que não pediu o encerramento imediato e que buscava negociar condições para permanecer atendendo.

Prazo de 30 dias é citado pela empresa

A Levemente também chama atenção para os procedimentos contratuais que, segundo ela, deveriam ser observados em caso de eventual encerramento futuro dos serviços.

A empresa afirma que, mesmo se não fosse possível encontrar uma solução para manter a unidade aberta, haveria necessidade de respeitar uma antecedência mínima de 30 dias prevista para a iniciativa da prestadora.

Para a responsável pelo CACO, esse período seria fundamental para organizar uma transição responsável. Isso envolveria comunicar as famílias, preservar informações importantes dos planos terapêuticos, evitar a interrupção brusca das terapias e encaminhar as crianças de forma segura dentro da rede de atendimento.

A nota reforça que tratamentos especializados não se resumem à mudança de endereço. Para a empresa, cada criança possui necessidades específicas, rotina terapêutica e vínculos profissionais que precisam ser considerados antes de qualquer alteração na prestação do serviço.

A Levemente sustenta que o encerramento imediato não permitiu esse planejamento conjunto.

Estrutura, alimentação e profissionais

A nota ainda rebate alegações que, segundo relatos recebidos pela empresa, teriam sido feitas sobre as condições físicas do CACO e a qualidade dos atendimentos.

A Levemente afirma que a estrutura disponibilizada na unidade é adequada para os serviços especializados prestados. A empresa também nega que o imóvel tenha cheiro de esgoto e classifica a informação como incompatível com as condições de funcionamento do local.

Sobre a alimentação das crianças e das famílias, a empresa esclarece que o fornecimento de refeições não integrava o objeto contratado para o CACO. Portanto, segundo a Levemente, não seria possível atribuir à instituição o descumprimento de uma obrigação que não fazia parte dos serviços assumidos.

Nos casos em que crianças permaneciam por períodos mais longos devido à sequência de terapias, as famílias eram orientadas a enviar lanche, levando em conta as necessidades individuais de cada paciente.

A empresa também diz não reconhecer afirmações genéricas que coloquem em dúvida o trabalho dos profissionais. A Levemente afirma que a equipe era formada por especialistas e que os planos terapêuticos eram executados de forma responsável.

A nota defende que qualquer questionamento sobre estrutura, condições sanitárias ou qualidade assistencial deve ser feito com base em avaliação técnica, registros objetivos e fiscalização dos órgãos competentes.

Empresa diz estar à disposição

Ao final da manifestação, a Levemente afirma que está à disposição para apresentar documentos e prestar esclarecimentos aos órgãos responsáveis, preservando o sigilo das informações dos pacientes.

A empresa reconhece que a Administração Municipal tem competência para organizar a rede pública e definir os encaminhamentos assistenciais. Porém, defende que mudanças envolvendo crianças em acompanhamento especializado precisam ocorrer com planejamento, transparência e respeito aos procedimentos contratuais.

A posição da Levemente é clara: a empresa afirma que não procurou encerrar o CACO, mas buscou condições para mantê-lo funcionando.

O Portal Martello News mantém espaço aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde sobre os pontos apresentados pela empresa, incluindo as alternativas relatadas, a reunião do dia 5 de novembro, a interrupção dos atendimentos e a organização da transição das crianças para outros serviços.

 

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