Projeto enviado à Câmara prevê R$ 52,5 milhões a mais que o orçamento de 2026; enquanto a arrecadação cresce, Martello News questiona prioridades após queda estimada de 32% nos investimentos em Saúde e avanço da folha
A Prefeitura de Cordeirópolis encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 36/2026, que estima a receita e fixa as despesas do Município para 2027. A proposta prevê um orçamento total de R$ 364,5 milhões. Detalhe: na gestão de Cristina Saad o investimento em Comunicação ( R$ 3,2 mi) é maior do que em Meio Ambiente. ( R$ 2,7 mi)
O valor representa aumento de R$ 52,5 milhões, ou cerca de 16,8%, em comparação com o orçamento de R$ 312 milhões previsto para 2026.
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No papel, trata-se de um dos maiores orçamentos da história do município. Na prática, o debate vai além do tamanho da arrecadação: onde esse dinheiro será aplicado e quais serviços a população efetivamente verá melhorar?
Saúde terá R$ 66 milhões previstos
O projeto reserva R$ 66,09 milhões para a Secretaria Municipal de Saúde em 2027. O valor aparece dentro do orçamento da seguridade social e, segundo a proposta, atende à obrigação legal de aplicação mínima em ações e serviços públicos de saúde.
Mas cumprir o mínimo legal não encerra a discussão.
O Martello News já mostrou que, no balanço de agosto de 2026, os investimentos mensais em Saúde teriam caído de cerca de R$ 5,3 milhões para R$ 3,7 milhões redução estimada em 32%, em valores atualizados.
Ao mesmo tempo, a população segue relatando dificuldades em atendimentos, espera por exames, medicamentos, estrutura e outras demandas da rede pública.
O novo orçamento traz uma previsão maior em números absolutos, mas orçamento não é sinônimo de dinheiro aplicado ou serviço entregue. A pergunta que precisa ser respondida é: quanto dos R$ 66 milhões chegará, de fato, à ponta em consultas, exames, especialistas, prevenção, medicamentos e melhoria no atendimento?
Folha cresceu e limite prudencial foi ultrapassado
Outro ponto que precisa entrar nessa conta é o avanço das despesas com pessoal.
Em 2026, a Prefeitura ultrapassou o limite prudencial previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal, chegando a 51,65% da Receita Corrente Líquida com gastos de pessoal, acima do patamar de alerta de 51,3%.
Mesmo nesse cenário, a administração criou novos cargos e retomou vantagens funcionais, como anuênio e sexta-parte. As medidas têm impacto estimado em aproximadamente R$ 2,5 milhões por ano.
O aumento da estrutura permanente exige atenção. Salários, encargos, progressões e benefícios são despesas contínuas. Uma vez criadas, comprometem o orçamento ano após ano.
Por isso, o crescimento da receita precisa ser acompanhado de transparência: quanto será destinado à folha? Quanto ficará para investimentos reais? E qual será a prioridade da administração diante das cobranças da população por serviços básicos?
Obras e serviços concentram parte relevante do orçamento
A Secretaria Municipal de Obras e Planejamento terá previsão de R$ 50,8 milhões em 2027. Já a Secretaria de Serviços Públicos aparece com R$ 36,68 milhões.
Os valores mostram que essas áreas terão participação importante no orçamento, mas o projeto ainda precisa ser detalhado durante a tramitação para que a população saiba como os recursos serão distribuídos entre obras, manutenção, infraestrutura e serviços do dia a dia.
A previsão orçamentária aponta o tamanho da verba destinada às secretarias, mas não significa, por si só, que cada obra ou serviço terá execução garantida. É justamente aí que entra a fiscalização: acompanhar o que foi previsto, o que foi empenhado e o que realmente foi entregue.
A proposta também prevê R$ 14,5 milhões para o SAAE, R$ 75,65 milhões para Educação e R$ 7,45 milhões para a Câmara Municipal em 2027.
Crescer não basta; é preciso escolher prioridades
Um orçamento de R$ 364,5 milhões abre espaço para investimentos importantes. Mas também aumenta a responsabilidade sobre cada escolha.
Se a arrecadação sobe, a população espera resposta nas áreas essenciais. Não adianta anunciar orçamento recorde enquanto serviços de Saúde permanecem próximos do mínimo legal, a folha continua crescendo e setores básicos acumulam reclamações.
A discussão que a Câmara terá pela frente não deve se limitar à aprovação de números. É preciso saber quais metas serão cobradas, como os recursos serão executados e quais garantias existem de que o dinheiro público chegará onde a população mais precisa.
O orçamento de 2027 ainda será analisado e votado pelos vereadores.




