Uma força-tarefa envolvendo a DEIC (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Piracicaba, as Polícias Civis de Goiás, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Maranhão e Distrito Federal, além de integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Cordeirópolis, deflagrou a Operação Fake Adv, voltada ao combate de uma organização criminosa especializada no chamado “Golpe do Falso Advogado”.
A operação é resultado de meses de investigação conduzida pelo Setor de Inteligência da DEIC de Piracicaba, que conseguiu reconstruir toda a estrutura utilizada pelos criminosos para aplicar golpes em vítimas por meio de aplicativos de mensagens. O grupo utilizava nomes de advogados, informações reais de processos judiciais e uma sofisticada engenharia social para convencer pessoas a realizar transferências via PIX.
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Segundo o relatório policial, a vítima era abordada pelo WhatsApp por alguém que se passava por advogado ou representante de escritório jurídico. O criminoso informava que havia um valor judicial disponível para saque, mas alegava ser necessário o pagamento de uma taxa para a liberação do dinheiro. A transferência era realizada e, imediatamente, os valores começavam a percorrer uma complexa rede de contas bancárias espalhadas pelo país.
Investigação revelou estrutura nacional
As investigações quebraram os sigilos telefônico, bancário e telemático dos envolvidos, permitindo identificar a dimensão da organização.
Os policiais descobriram que um único aparelho celular concentrava diversas contas de e-mail, linhas telefônicas pré-pagas e acessos ao Portal e-SAJ do Tribunal de Justiça de São Paulo, indicando que os criminosos utilizavam informações reais de processos judiciais para dar credibilidade ao golpe.
O dinheiro obtido das vítimas não permanecia na primeira conta receptora. Ele era rapidamente pulverizado para diversas contas bancárias em vários estados brasileiros, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Saques eram feitos em Goiás
Outra etapa importante da investigação identificou que parte dos recursos era sacada presencialmente em casas lotéricas de Goiânia (GO).
Imagens de monitoramento analisadas pela Polícia Civil mostraram que uma mesma pessoa realizou diversos saques utilizando contas bancárias diferentes, sempre em horários compatíveis com as movimentações financeiras rastreadas durante a investigação. O cruzamento das imagens com registros de trânsito permitiu identificar o veículo utilizado e avançar na individualização dos suspeitos.
Mandados de busca
Com o conjunto de provas reunidas, a Polícia Civil representou pela expedição de mandados de busca e apreensão contra investigados distribuídos em diversos estados brasileiros.
Ao todo, o relatório relaciona 21 pessoas investigadas, além de diversos endereços ligados ao esquema, onde poderão ser apreendidos celulares, computadores, documentos bancários, mídias digitais e outros elementos considerados fundamentais para esclarecer a participação de cada integrante da organização criminosa.
Atuação integrada
A Operação Fake Adv evidencia o avanço das investigações contra organizações especializadas em crimes cibernéticos e reforça a importância da atuação integrada entre as forças de segurança.
Além da DEIC de Piracicaba e das Polícias Civis dos estados envolvidos, a operação contou com apoio operacional da Guarda Civil Municipal de Cordeirópolis, que participou das diligências durante o cumprimento das ordens judiciais.
As investigações prosseguem e novas diligências poderão resultar na identificação de outros integrantes do grupo criminoso.

